segunda-feira, 22 de outubro de 2007

BOCA CO CEU 24

Ano VI-Jul/Ag/Set/2007


DEFENDENDO O VOTO

Sempre acreditei que o direito ao voto é uma das mais importantes e democráticas armas que temos para iniciar uma mudança. Ainda continuo acreditando, por isso venho nesse texto defender o voto: o voto nulo. Vejamos: Nunca votei nulo, desde quando comecei a votar no início da década de 80. Sempre defendi o voto e a filiação partidária, independente da legenda, pois acreditava que a militância partidária faz a pessoa crescer. Continuo acreditando, mas, no entanto, penso que nesse momento faz-se necessário uma discussão sobre a representação política que queremos. Acredito que não é esta que aí está. Dentro dessa discussão está a questão do Voto. O voto nulo seria uma das armas utilizadas para abrir esse debate.

Não vejo no cenário político novas perspectivas. Os partidos são legendas de aluguel. Não temos novas lideranças. O sistema político brasileiro está viciado. Elegem-se os mesmos. Não há uma renovação nas lideranças dos movimentos sociais, implicando, assim na continuidade dos grupos hegemônicos que estão ditando as regras. A “oposição”, em sua grande maioria faz parte desses grupos, e estão simplesmente encenando. Se conseguirmos um percentual de votos nulos considerável, nas próximas eleições municipais para Prefeito e Vereadores, e ampliarmos esse percentual na próxima para Presidente, governadores, Senadores e Deputados o cenário poderá mudar.

O Parlamento Brasileiro, nos três níveis: Federal, Estadual e Municipal, está corrompido em toda sua estrutura.

Os nossos “representantes" sem exceção, se não são literalmente corruptos, são coniventes e se beneficiam com o que está ai. Exemplo: porque os

parlamentares eleitos pelo Partido dos Trabalhadores, em sua esmagadora maioria, não saíram do partido quando veio a público as denuncias de corrupção? Simplesmente por medo de não se reelegerem indo para um partido menor ou um novo partido! Porque não saíram do PT, quando o Partido abandonou suas principais bandeiras de luta, pensando exclusivamente na chegada ao poder a qualquer custo? Pelo mesmo motivo acima citado.

A maioria dos parlamentares oriundos de partidos outrora progressistas estão em seu segundo ou terceiro mandato, esqueceram seus referenciais políticos, só voltam aos seus colégios eleitorais no momento de uma nova eleição, o prejuízo com isso é revertido novamente para o cidadão, que em muitos casos perdem excelentes educadores, administradores, funcionários públicos, médicos, engenheiros, etc., que se tornaram políticos de carreira, pois mandato político em nosso país é profissão. Profissão que dá poder. “E o poder tem seus encantos”. O bom profissional foi corrompido pelo poder, pelas mordomias, mesmo não se envolvendo diretamente em falcatruas faz vista grossa e vota com a maioria para não se queimar em uma futura convenção do Partido. Afinal “é dando que se recebe”.

A discussão sobre representação política no Parlamento, faz-se necessário, e você, caro eleitor, pode contribuir defendendo essa bandeira. VOTE NULO.

Rui Oliveira Machado.

ESQUERDA, (EN)VOLVER!

O conceito/categoria de ESQUERDA nasce identificando a luta por justiça e emancipação; homens e mulheres de todos os tempos levantaram-se contra as opressões e sonharam os sonhos mais lindos.

Os caminhos da ESQUERDA merecem alguma atenção. Aí se encontram desde os socialistas até os espartaquistas que lutaram contra o poder de Roma, não esquecendo os anarquistas e mesmo os revoltosos de Canudos. Todos no campo da ESQUERDA, da ESQUERDA revolucionária.

A ESQUERDA se forma enquanto esquerda na medida em que luta (e luta sempre) para a revolução dos iguais e justos. A ESQUERDA só se justifica na medida em que é sempre combatente e libertadora, e luta e luta sempre, sem fazer conchavos e concessões aos poderosos.

Quem faz acordos e brada ser de esquerda, na realidade, mia. O miado é o sintoma da negociata, como aconteceu com o Partido Social Democrata Alemão que ao defender posições cada vez mais reformistas em seu interior, deixava de bradar e miava. Este é o momento decisivo em que o grito de rebelião é vendido e que não estamos mais diante de uma esquerda revolucionária. Este é o momento da iniciação e podemos falar de uma DIREITA iniciada; iniciada nos ritos da opressão e de toda uma sorte de safadezas.

Sintam-se advertidos: é só o momento da iniciação, pois há ainda uma íngreme descida até o sétimo círculo do inferno. Também foi assim com o PSDA que, primeiro, transformou-se em DIREITA iniciada, mas ainda restavam algumas descidas até chegar ao sétimo círculo em que definitivamente estaria convertida ao credo da DIREITA, já aí uma DIREITA despudorada. Ao defender a entrada da Alemanha na primeira guerra mundial em troca de alguns marcos e de alguns cargos no parlamento, abraçava o inferno como um cristão abraça Maria e renegava os milhões de homens e mulheres que seriam mortos na carnificina da guerra como se faz a um Judas; já absolutamente absorta e convertida, já uma DIREITA despudorada.

Trabalhadores e trabalhadoras, esta DIREITA iniciada tanto quanto a DIREITA despudorada não merece piedade. E não a subestime, pois, a aparente

ausência de capacidade de análise pode indicar precisamente a capacidade de bem analisar – repare que os horizontes são distintos e que no mundo do capital o calvário de “quase-todos” traz o paraíso dos que se comprazem na imundice.

Combatê-la agora e combatê-la sempre - eis a tarefa da ESQUERDA rebelde e revolucionária. Em palavras gritadas por aí, Gramsci apontava que a realidade é por demais criativa, então, valorizemos o quotidiano e não nos prendamos à hora marcada da revolução. Não temos nada a perder, pois, nos dizeres de Marx, o capitalismo só pode nos deixar de herança “o dilúvio”.

Por fim, duas perguntas intempestivas que assim se caracterizam por exigir que seja considerada a existência ou a inexistência de um projeto político de justiça e emancipação. Eis as perguntas. Existe esquerda em Uibaí? Ou será que o que existe é uma direita despudorada (campo clássico da direita e que está no poder) e uma direita iniciada (que está no campo de oposição à direita despudorada – a briga pelo poder tem dessas coisas)?

Nêgo Fugido

Canabrava dos Palmares, 27 de setembro de 2007.

Contatos boca do céu: ruipe@zipmail.com.br

terça-feira, 25 de setembro de 2007

BOCA DO CEU 23

Ano VI-abr/mai/jun/2007


O QUE É SER POLITIZADO*


Ser politizado é entender como funcionam as relações de poder em cada sociedade e no mundo em geral. É compreender que, por trás das relações de troca no mercado existem relações de exploração. Que, por trás das relações de voto, existem relações de dominação. Que por trás das relações de informação, há um processo de alienação. Ser politizado, no mundo de hoje, significa compreendê-lo no marco das relações capitalistas de acumulação e exploração, representa entender o mundo no marco da hegemonia imperial estadunidense, baseada na força militar e na propaganda do modo de vida estadunidense. Ser politizado é compreender que tudo que existe foi produzido historicamente, pelas relações entre os homens e o meio em que vivem. Ou melhor, entre os homens, intermediados pelo meio em que vivem. E que, portanto, tudo que foi construído pelos os homens pode ser desconstruído e reconstruído. Que tudo é histórico. Que a própria separação entre sujeito e objeto – que nos aparece como “dada” – é produzida e reproduzida cotidianamente mediante relações econômico-sociais alienadas. Ser politizado é saber subordinar as contradições menores às estratégicas, saber que as contradições com o capitalismo são sempre também contra o imperialismo, pela fase histórica atual do capitalismo.

O QUE É SER DESPOLITIZADO.

Já ser despolitizado é achar que as coisas são como são porque são como são, sempre foram assim e sempre serão. É considerar que as pessoas sempre buscam tirar vantagens que não têm grandeza para lutar desinteressadamente por um mundo melhor. Que o que diferencia as pessoas e a ambição de melhorar de vida, que a grande maioria não tem jeito mesmo. Entre o ser politizado e o despolitizado esta alienação, a falta de consciência da relação entre nós e o mundo. Alienar é entregar o que é nosso para outro -como diz a definição jurídica em relação a bens. Ser alienado é não perceber a presença do sujeito no objeto e vice-versa, sua vinculação indissolúvel. A luta pela emancipação humana é uma luta contra toda forma de exploração, de dominação, de discriminação, mas, antes de tudo e sobretudo, uma luta contra alienação – condição de todas as outras lutas.

EMIR SADER.**

*Extraído da revista Caros amigos

** Cientista político.

QUESTÃO DE PRINCÍPIOS.

Mais um “Club” particular em Uibaí, agora no povoado da Boca D’água. Nada contra alguém construir um espaço privado de lazer, desde que essa pessoa não seja o representante do Executivo Municipal, e o município ser um dos mais carentes de espaços públicos para o lazer coletivo, com apenas o Club Canabrava e a Voz do Povo que, mesmo sendo usado pela grande maioria dos Cidadãos de Uibaí, não são totalmente públicos, foram construídos respectivamente com a contribuição dos sócios e por iniciativa individual. A cidade, tão carente de espaços públicos de lazer, deveria ter em seus representantes a preocupação com quem lhes outorgou o poder de decisão, ao invés de construir mansões tipo Club privados a exemplo do citado acima. Deveriam seguir o exemplo de um também filho de Uibaí que está investindo em projetos educativos com a finalidade de formar cidadãos, sem esboçar, pelo menos até o momento, a vontade de se auto-promover politicamente. É o espírito coletivo que infelizmente em muitos demora a aflorar, acredito que por falta de prática. Fomos criados para viver em sociedade, o senso coletivo e nato do Ser, porém, deve ser exercitado a todo o momento. Em uma sociedade capitalista onde o incentivo ao individualismo é uma de suas grandes bandeiras, devemos estar vigilantes e nos indignarmos com essa prática tão em voga no nosso Município. O papel de um Prefeito é administrar o município direcionando suas ações para as necessidades de sua população. Se todo prefeito que for eleito investir em projetos pessoais, e o pior com dinheiro público, como vem acontecendo há algum tempo, a cidade vai acabar “privatizada”.

a Direita é aquém, a Esquerda é além

O terreno da política sofreu alterações significativas nos últimos 500 anos; momento em que a política perde a sacralidade das intervenções divinas e ganha a terrenalidade das relações humanas. A partir de Maquiavel a política passa a ser entendida eminentemente como atividade humana.

Há, aproximados, 200 anos, no período da Revolução Francesa, ocorrem novas significativas alterações no terreno da política. As movimentações na vida e no quotidiano das pessoas acabam por processar a entrada de algumas categorias importantes na política, tais como: direita e esquerda.

O conceito/categoria de DIREITA foi criado no bojo da Revolução Francesa para indicar o grupo político ou os grupos políticos que nas assembléias e reuniões francesas, tinham posições conservadoras e reacionárias, no sentido de defender e de realizar alianças com o clero e a aristocracia; concretizando de forma cristalina os interesses das elites nacionais. A chamada DIREITA estava preocupada em consolidar os seus interesses tão só e para tanto defendeu e fez conchavos que não radicalizassem o processo revolucionário; surgia um novo-velho país para novas e velhas elites, mas não para o povo.

O conceito/categoria de ESQUERDA, também criado no transcorrer da Revolução Francesa, indicava o grupo político ou os grupos políticos que no processo revolucionário francês lutavam para realizar a igualdade e pelo fim das injustiças, onde os camponeses pudessem ter acesso a terras e os trabalhadores urbanos pudessem ter uma vida digna; defendiam a democracia direta, o controle externo do governo, a revogabilidade dos mandatos, o direito do povo de julgar seus inimigos, controle da economia e a abolição dos direitos feudais. A isto veio somar-se, para uma melhor definição de ESQUERDA, todo o legado de luta em defesa da justiça, da liberdade, da igualdade e da fraternidade de todos os povos e de todos os tempos que pode nos remeter tanto à luta pelo socialismo quanto aos bravos sertanejos de Canudos. É a utopia de um projeto político justo e humano.

Por fim, uma pergunta tempestuosa e intempestiva. E assim se caracteriza por exigir que seja considerada a existência ou a inexistência de um projeto político de justiça e emancipação. Eis a pergunta. Existe esquerda em Uibaí?

Nêgo Fugido

Heterônimo de Savigny Machado

Do tempo do Sr .Messias

segunda-feira, 16 de abril de 2007

BOCA DO CEU 22

O DISCURSO DE COLLOR

O discurso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje Senador da República, foi marcado por muito choro. Vejamos: o “coitadinho” estava arrependido de ter confiscado as poupanças, de ter afrontado o Congresso Nacional, de ser arrogante, de ter sido um dos piores presidentes eleito democraticamente, etc. Pronto. Já foi perdoado. Seus colegas de parlamento teceram fartos elogios ao novo homem público que surge depois de um período metamorfoseando.

Esse “perdão,” gostaria de lembrar, foi dado pelo povo alagoano, e por grande maioria do parlamento (Congresso Nacional), mas o povo brasileiro em sua grande maioria, não esqueceu e jamais esquecerão um dos períodos mais truculentos da nossa história. Alias para o primeiro presidente eleito por voto direto, depois de vinte anos de ditadura militar, fazer o que ele fez, não vai ser um chorinho que conseguirá redimi-lo.

Felizmente ainda temos no parlamento alguns poucos cidadãos com vergonha na cara, a exemplo do Senador Pedro Simon, o único que fez o ex-presidente Fernando Collor de Mello relembrar os atos de corrupção ocorridos no seu governo que o levaram a ser expulso do Palácio do Planalto. Pelo menos um, no meio de tantos “combativos parlamentares,” teve coragem.

PS. Nem tudo está perdido. Rui Oliveira Machado

* A FORMOSA QUE FOI E A QUE É

Seu moço vá na Formosa
Que é pra tu se alembrá
Onde a gente dava prosa
Ali nos pé de Juá
Bem pertinho da casinha
Você se alembra que tinha
No terreiro de Naninha
Muito caroço de ingá?

Você subia um tiquim
Tinha mata de angelim
Fazendo sombra no poço
Pois se tu for lá seu moço
Nada mais tu tem que vê
É duro de recordar
Teu coração vai doer
Tu é capaz de chorar.

Cortaro toda a madeira
Rancaro os pé de ingasera
Derrubaro os jatobá
Desbarataro a pedreira
Nem os pé de gameleira
De perto da cachoeira
Que da sombra a vida inteira
Não deixaro sem cortar.

Tu lembra daquele poço
Que a gente tomava banho?
Água dava no pescoço
Traíra desse tamanho
O riacho já morreu
Pra tu que já conheceu
E ama lá como eu
Acho tudo muito estranho.


Tu conhece e eu conheço
Tudo ali na região
Vou morrer e não esqueço
Parece que não mereço
Ver o fim desse regresso
É o avesso do progresso
Meu amigo eu te confesso
Acabou-se o buqueirão.

Não tem mais a muierada
Que à fonte dava a vida
Tanta gente divertida
Percorria aquela estrada
Todo dia à madrugada
Cumeçava o movimento
Só era contentamento
Deste povo camarada.

Se ia pur dento do brejo
Até no poço do Serjo
Tu lembra que também tinha
O poço da camarinha
Frio igual a picolé?
A gente se lembra e sente
Aquele cheiro incelente
Dos perfume das muié.

O nosso povo e católico
Mas um ato diabólico
Já viro realizá
Os mandantes desta terra
Vendero e cercaro a serra
Pesou a mão poderosa
E os donos da Formosa
Tivero que retira.

  • do Livro : Versos de um caboclo, de Jeová Caboclo.

Preocupações dos Parlamentares na Câmara dos Deputados:

  1. Aumento dos seus próprios salários;
  2. Aumento do salário do Presidente e dos Ministros;
  3. * O Chapéu de Couro do Deputado Bahiano Edgar Mão Branca.




NASCE UMA ESTRELA , MORRE A ESQUERDA!

Era final da década de 70 e ainda acreditávamos que, apesar da ditadura, a resistência seria a construção de um novo modelo de democracia brasileira ; começávamos a organizar e discutir partidos e engajarmo-nos (para usar bem o termo da época), naqueles que ideologicamente pensava a sociedade que pretendíamos.

Assim nasceu o Partido dos Trabalhadores/ PT- diferenciado dos demais por ampliar o conceito de Trabalho X Trabalhismo.

Usando como insígnia a estrela, brilhou toda a década de 80 e 90 com a disposição e determinação de seus militantes na missão de divulgar o programa, discutir as propostas mobilizar pessoas, instituições, estudantes apoiar movimentos originados nas diversas categorias sociais, urbanas e rurais. . Configurava-se enfim uma nova tendência para a esquerda brasileira ou............. seria velha?
Conseguimos, quase vinte anos depois da primeira disputa presidencial nas urnas, e mais duas derrotas , a vitória !!!!!!!!!
Em 2002 a esperança venceu o medo, PT na presidência do Brasil!
Dava-se início à grande arrancada, pelo menos assim esperávamos, para as mudanças e reformas do país sem recorrer ao populismo, a estima brasileira, principalmente daqueles que propunham ações voltadas para redução das desigualdades sociais estava em alta; vislumbrava-se o fim das jogadas corruptivas dos politicos desonestos, dos acordos de gabinete das compras de votos.
È claro que em quatro anos é impossível realizar as demandas preconizadas na campanha; mas também em quatro anos, praticar atos que desconstroem o que seria a marca do partido! Escândalos semelhantes aos mandatos anteriores, com protagonistas, antes combativos ferrenhos, hoje promotores e beneficiários! Entramos no segundo mandato e já não vislumbramos mais atitudes que marquem o diferencial de um partido que se pretendia configurar como a esquerda brasileira contemporânea, com a maioria de seus filiados “históricos” fora, e comprometidos com outras alternativas que surgem.
Yara de Senna Amado, socióloga e trabalhadora do IPHAN

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segunda-feira, 19 de março de 2007

BOCA DO CEU 21


Ano V -Out/nov/dez/2006

VERGONHA NACIONAL.

Mais uma vez somos surpreendidos com nossos representantes no Congresso Nacional. No apagar das luzes de um final de ano e de legislatura, nossos queridos parlamentares, que passaram esses quatro anos trabalhando exclusivamente em CPI’s que os envolviam em todos os tipos de corrupção possíveis no Serviço Público e que não resultaram em praticamente nada, se autopresentearam com um aumento em seus salários próximo de 100%. Em um país com aproximadamente trinta milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza, com um salário mínimo 70 (SETENTA) vezes menor que esse salário que nossos representantes perceberão a partir da próxima legislatura, onde a fome, a miséria, e a violência estão presentes em cada canto desse imenso país, era para nossa indignação ser tamanha, a ponto de estarmos todos nas ruas, nas praças, nos centros do “poder”; Congresso Nacional e nas Câmaras Legislativas de todo país, protestando e procurando inviabilizar essa pouca vergonha. Infelizmente as coisas ainda não aconteceram, e o povo assiste passivo aos desmandos de seus representantes. Até quando? Como transformar esse sentimento de indignação presente nesse momento na sociedade em manifestações de rua? Em luta pela moralidade, pela ética? Hoje o Congresso Nacional é uma das instituições com menor credibilidade junto à sociedade, mesmo assim, fazem o que querem, e no período eleitoral, estão de volta às ruas, (apenas nesse momento fazem esse imenso esforço) e o povo vai às urnas cheios de esperança e orgulho, para momentos depois serem traídos. No próximo período eleitoral estarão lá de novo, é um círculo vicioso, vota-se automaticamente sem parar sem pensar. Nesse final de ano, onde paramos alguns poucos minutos para refletir e desejar boas novas para todos, devemos refletir, também, sobre nossos direitos e deveres como cidadão. Devemos refletir sobre a política, sobre a religião, sobre a bondade, sobre a maldade, sobre a pobreza, sobre a riqueza, sobre a paz, sobre a guerra, sobre todas essas dualidades existentes, quem sabe assim, no próximo ano conseguiremos iniciar a construção de um mundo melhor e de uma sociedade mais justa e igualitária.
Feliz Natal e boas festas.
Rui Oliveira Machado

PS.
“Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão,, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governa-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.” Mikhail Bakunin.


O político e o palhaço

“Grande circo Brasil; escolham seus palhaços”. este era o slogan contido nas camisetas usadas pelos estudantes da época para demonstrar a decepção gerada pela iminente vitória do candidato Fernando Collor de Mello, sobre Lula, no pleito Presidencial de 1989. Não se sabe bem, porque circo e palhaço são termos sempre utilizados quando se quer depreciar alguém ou algo ou identificar a ausência de seriedade. “Você é um palhaço”. Dispensar este tratamento a alguém é menosprezá-lo, provoca-lo. “Isto aqui está uma bagunça, um verdadeiro circo”. É uma maneira de se dizer que algo está errado, que a seriedade não existe. Na realidade é uma injustiça, porque nenhuma arte pode ser considerada mais respeitável que a arte circense e nenhum personagem mais sério que o palhaço.
Em 1989 porém, não se percebia, ainda, que as vítimas do nosso protesto não eram os políticos, o Brasil e nem as eleições. Os ofendidos, na realidade, eram o palhaço, o circo e o espetáculo. “Grande circo Brasil, escolham seus palhaços”
Mas que relação poderia haver entre país, políticos, eleições e circo, palhaços e espetáculo? O país é um grande palco onde milhões de artistas equilibram-se na corda bamba do dia-a-
dia, comem fogo, fazem malabarismo com moedas, domam os leões, penduram-se no trapézio da vida depois sorriem, dançam e batem palmas.
Assim também é o picadeiro; e, como no país, seus artistas nascem, vivem, e morrem, “na lona”. O palhaço é um ser que, apesar de seus traumas e angústias, traveste-se de alegre e feliz para oferecer-se como objeto do nosso riso. O político também traveste-se; só que astuto e interesseiro, finge-se de “santo” para merecer o nosso endosso e depois trair a nossa fé. E o espetáculo? Ah o Espetáculo! O inesquecível “respeitável público!!”, que nos leva ao delírio, que acende a adrenalina, que acelera o pulso, que resgata a criança adormecida em nós, de olhos presos no picadeiro, pipoca na mão e sonhos a viajar. Ah! O espetáculo.
Espetáculo também é o momento eleitoral. Qual candidato? Qual partido? É a festa de bandeiras, cores e ideologias. É o voto de mudança, é o novo, mesmo que nada de novo, é um novo momento. Hora de tomar nas mãos a construção do novo tempo. Hora de sonhar.
Mas ...e o político, aquele palhaço?
Ah, esqueçamos!
Edme Oliveira Machado

BOCA DO CEU 20

Ano VI-Jul/ago//set/2006
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. A lei Maria da Penha já está em vigor

A Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher foi sancionada pelo presidente Lula, dia 7 de agosto, e receberá o nome de Lei Maria da Penha Maia. “Essa mulher renasceu das cinzas para se transformar em um símbolo da luta contra a violência doméstica no país”, afirmou o presidente. O projeto foi elaborado por um grupo interministerial a partir de um anteprojeto de organizações não-governamentais. O governo federal o enviou ao Congresso Nacional no dia 25 de novembro de 2004. Lá, ele se transformou no Projeto de Lei de Conversão 37/2006, aprovado e agora sancionado. A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, acredita que o número de denúncias possa aumentar. “Certamente, quando oferece a sociedade uma estrutura de serviços onde as mulheres se sintam encorajadas a denunciar porque tem uma rede de proteção para atendê-las, você aumenta a possibilidade de número de denúncias”, disse. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres colocou à disposição um número de telefone para denunciar a violência doméstica e orientar o atendimento. O número é o 180, que recebe três mil ligações por dia.

MARIA DA PENHA MAIA

A biofarmacêutica Maria da Penha Maia lutou durante 20 anos para ver seu agressor condenado. Ela virou símbolo contra a violência doméstica.
Em 1983, o marido de Maria da Penha Maia, o professor universitário Marco Antônio Herredia, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez, deu um tiro e ela ficou paraplégica. Na segunda, tentou eletrocuta-la. Na ocasião, ela tinha 38 anos e três filhos, entre 6 e 2 anos de idade. A investigação começou em junho do mesmo ano, mas a denúncia só foi apresentada ao Ministério Público Estadual em setembro de 1984. Oito anos depois, Herredia foi condenado a oito anos de prisão, mas usou de recursos jurídicos para protelar o cumprimento da pena. O caso chegou à Comissão Interamericana dos Direitos humanos (OEA), que acatou, pela primeira vez, a denúncia de um crime de violência doméstica. Herredia foi preso em 28 de outubro de 2002 e cumpriu dois anos de prisão. Hoje, está em liberdade.Após às tentativas de homicídio, Maria da Penha Maia começou a atuar em movimentos sociais contra violência e impunidade e hoje é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV) no seu estado Ceará.Ela comemorou a aprovação da lei> “Eu acho que a sociedade estava aguardando essa lei. A mulher não tem mais vergonha de denunciar. Ela não tinha condição de denunciar e se atendida na preservação da sua vida”, lembrou. Maria da Penha recomenda que a mulher denuncie a partir da primeira agressão. Porque a cada dia essa agressão vai aumentar e terminar em assassinato.” Fontes: Radiobras/Agência Brasil, Agência Estado, SEPM, Cfemea
PS. Em nosso Município, não tenho conhecimento de nenhum caso de violência contra a Mulher no que diz respeito à agressão física (espancamento), como existem várias formas de violência: o telefone para denúncia é: 180.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS II

Encerraram-se as eleições presidenciais. Os trabalhos voltam-se agora para eleições Municipais: prefeitos e vereadores. Pelo desenrolar dos conchavos políticos feitos para adquirir apoios no segundo turno da eleição para Presidente, dá para imaginar o que serão as próximas eleições.
Se a proposta do Presidente da República de conversar com todos os seguimentos da sociedade, principalmente a oposição prosperar, teremos uma eleição sem a “oposição de praxe”. Como a maioria dos prefeitos municipais baianos deu apoio ao Presidente Lula, pode se deduzir que os candidatos apoiados por estes prefeitos, ou os próprios estarão, ou no PT, ou em outro partido que faça parte da base de apoio do Governo.
Porque afirmo isso: porque esses prefeitos nunca fizeram oposição a ninguém, sempre estiveram debaixo da chibata de seus governantes maiores, há dezesseis anos são submissos, abaixaram a cabeça para o Carlismo, e não conseguiram se desvencilhar dessa prática. Mudam de legenda política como se muda de camisa.
Tomemos por exemplo nosso Município, Uibaí. Em qual momento os “nossos representantes” ficaram contra o Governo estadual ou Federal? Nunca. Estão sempre se articulando para permanecer dando “apoio” em troca de benesses, e não vai ser diferente agora, já que a forma de administrar da esfera federal e provavelmente a estadual, tem muita coisa em comum com as administrações de nosso Município, principalmente a parte podre.
Sendo assim, faz-se necessário algumas indagações: Como será a disputa em nosso município depois desses apoios? Haverá convenção no PT para escolher candidato a prefeito, já que no momento temos pelo menos dois convencionais? Sabemos que o atual Prefeito subiu no palanque do Governador eleito, e pode a qualquer momento mudar de legenda, optando por um partido da base de sustentação do governo, pleiteando, assim, um segundo mandato com o apoio Federal. E aí?
Podem ter certeza que em Uibaí, os candidatos a cargo majoritário terão uma luta à parte em busca de apoio no Governo estadual e Federal devido ao leque de alianças feitas por conta da reeleição. Todos agora querem ser da base de sustentação do governo. Assim, nesse momento faz-se necessário a criação em nosso município, de uma frente de oposição propositiva que venha contrapor a essa prática política que insiste em afirmar que os fins justificam os meios para se chegar ao poder.
Uma sociedade justa não se faz com essas práticas, mas sim com políticas de acesso à educação, saúde, terra, emprego, igualdade de oportunidades, bandeiras que estão inseridas nos princípios e ideais socialistas, que, por um curto período nortearam os programas de partidos ditos de esquerda em nosso país. Rui Oliveira Machado.

BOCA DO CEU 19


Ano VI-abr/mai//jun/2006

ACREDITANDO AINDA NO SOCIALISMO.

Mesmo em momentos de desilusões, como o que ocorre agora, ainda assim acredito que o Brasil será o protagonista de uma revolução socialista na América Latina. Acredito nisso, primeiro, porque temos que estar sempre sonhando com um mundo melhor, e porque observo que o modelo capitalista que domina nossa civilização está acabando. A organização dos trabalhadores contra a exploração, é fato e o capitalismo vive disso – Mais Valia. Se analisarmos esses vintes e cinco anos de “abertura política” no Brasil como um processo veremos que está havendo uma evolução nas diversas formas de atuação no que tange a luta de classe travada desde o “descobrimento do Pais”. O que aconteceu e esta acontecendo nos últimos doze anos de governo de FHC e Lula é o reflexo de tudo que os setores mais progressistas existentes no Brasil conseguiram construir. A esquerda no Brasil e em vários países da América Latina está em um processo de acúmulo de experiências que tem como escopo uma revolução socialista, e o Partido dos Trabalhadores é um instrumento que fez e faz parte desse processo juntamente com outros partidos que estão na luta a mais tempo, e outros que estão surgindo. Analisar, com a agravante de entrarmos em um retrocesso profundo, momentos da política brasileira, como se fossem campeonatos de futebol é um grande equivoco. Todo esse momento faz parte de um processo em busca de uma sociedade mais justa, onde setores engajados nessa luta cometem equívocos, mas também tem avanços consideráveis; ou nessas duas décadas não houve avanços em direção a uma sociedade mais justa? Será que a esquerda brasileira só cometeu equívocos? Não teria sido mais acertos que erros? São fatos que devem ser analisados no momento de fazer uma avaliação, para não cairmos no erro de achar que a revolução Socialista vai acontecer com data e hora marcada, estamos engatinhando na escola democrática. Vinte e cinco anos de “abertura política” dentro do contexto histórico mundial significam algumas horas. Não devemos jogar fora todo esse acúmulo de experiências adquiridos nesses quinhentos e poucos anos de luta e resistência do povo brasileiro.
Rui Oliveira Machado

ELEIÇÕES MUNICIPAIS.

Com encerramento das eleições a nível federal e estadual os olhos dos políticos, principalmente os que não conseguirem ser eleitos, voltam-se para os municípios. Não com o intuito de resolver os vários problemas que atormenta a grande maioria dos habitantes dos mais longínquos grotões deste país, mas sim para articulações imorais desenroladas nas eleições que se encerram amarradas como forma de pagamento, tendo como moeda cadeiras de Prefeito e de vereadores. Quero tomar como exemplo nosso município, a pequena cidade de Uibaí. Lá os “donos do poder” estão desde o início do ano em campanha. Dividiram-se, pois fica melhor apoiar duas frentes políticas, embora as mesmas se dizem diferentes, sendo que no final são farinha do mesmo saco, só assim independente de quem ganhe estarão “representados” dentro do Congresso Nacional, garantindo seus ganhos nos muitos desvios patrocinados pelas emendas orçamentárias, (vide sanguessugas). Não vejo, infelizmente, nenhuma perspectiva para o nosso município. Não temos, até o momento, candidatos a vereador e muito menos para prefeito. Acho também que na atual conjuntura, ter ou não ter candidato não mudaria muito a cara do nosso município. Precisamos encontrar armas mais eficazes, pois só com as que dispomos, dentre elas o voto, o processo de mudança será penoso e demorado. Temos que tomar como exemplo alguns municípios que conseguiram ter avanços na qualidade de vida de seus habitantes e conseguir reduzir de forma considerável a corrupção. Vai aí o exemplo de Ribeirão Bonito/SP. Só assim poderemos dar um salto de qualidade e construir uma Uibaí onde poderemos orgulhar de ser filho.
Rui Oliveira Machado

RIBEIRÃO BONITO*

Ribeirão Bonito, onde tudo começou por causa de uma nostalgia - e virou uma cartilha contra a corrupção. Nos seus tempos áureos, Ribeirão Bonito, de imigração italiana, beneficiava-se do café. Sua população, na época, contava com 25 mil moradores - mais que o dobro do atual número de habitantes. Além da agricultura, surgiam fábricas. Oferecia-se ali um bom nível de educação pública. Muitos saíram da cidade, entraram nas melhores faculdades e se tornaram profissionais de sucesso, respeitados nas suas áreas. Nunca mais voltaram a morar lá. Em 2000, alguns desses profissionais, gratos pela chance educacional que tiveram, começaram a se reunir para revitalizar Ribeirão Bonito, estimulando uma vocação econômica e preservando o patrimônio histórico. Juntaram-se aos moradores e criaram uma associação (Amarribo). Os planos mudaram de rumo. Perceberam que o prefeito vinha dando sinais de enriquecimento incompatível com sua renda. Um dos sinais era um carro de luxo que ele usava. Souberam que seu veículo era de um fornecedor de carne para as escolas. As merendeiras diziam, porém, que quase não havia carne na refeição dos alunos. Descobriu-se também que a prefeitura comprava a gasolina para abastecer a frota oficial numa cidade de Minas, bem longe dali. E por um preço mais caro do que a vendida no posto em frente à prefeitura. Revelou-se assim uma rede de falcatruas. Resolveu-se focar sua ação, naquele momento, no desvio de recursos. Não era uma batalha fácil. A população não estava mobilizada nem interessada; o prefeito controlava quase toda a Câmara e a imprensa. Como o grupo de combatentes era composto de professores, contadores, comunicadores e advogados (um dos advogados é José Chizzotti, procurador aposentado do Estado), montou-se uma operação de guerra: 1) coletaram-se os indícios de desvio de dinheiro; 2) com base nessa coleta consistente, a polícia, o Ministério Público e o Judiciário foram acionados; 3) furando a barreira da mídia local, divulgaram-se os fatos por meio de panfletos e convocaram-se audiências públicas; 4) diante das evidências e da pressão popular, os vereadores foram sensibilizados para criar uma comissão de investigação na Câmara. O prefeito perdeu o cargo e acabou na cadeia. O mais importante é que se criaram mecanismos permanentes de fiscalização que já resultaram, por exemplo, na redução e melhor aplicação de gastos públicos - a Câmara passou a usar apenas 1,5% do orçamento municipal, sendo que a lei permite até 8%. Desse embate, surgiu uma cartilha para ensinar os cidadãos o passo a passo na prevenção e no combate à corrupção.

P.S. - A fórmula de Ribeirão Bonito contra os sanguessugas não tem mágica. É composta por quatro ingredientes: 1) a qualificação educacional dos indivíduos; 2) a disposição de trabalhar em conjunto em cima de objetivos comuns; 3) sentir-se dono da coisa pública e fiscalizá-la permanentemente, o que exige uma noção de que cidadania é não só direitos mas deveres; 4) não esperar pelas autoridades para que sejam tomadas atitudes moralizadoras. Em qualquer comunidade que use essa receita, a corrupção provavelmente não acabará, mas será muito mais difícil roubar e ficar impune.
*Fragmento do texto Uma vacina contra sanguessugas .,
Artigo publicada por Gilberto Dimenstein - Jornal Folha de São Paulo.

BOCA DO CEU 18

Ano VI-Jan/fev/mar/2006

ACABOU !!!

O Partido dos Trabalhadores nesses três anos e meio ao contrário do que pregou em toda sua existência, enveredou por um caminho que durante seus vinte e cinco anos de existência criticou: o caminho da corrupção, da falta de ética, da mentira, ou seja, das práticas mais condenadas pela grande maioria de seus militantes. Tentei resistir a idéia de que o partido não tem mais jeito, mas infelizmente essa resistência chegou ao fim. Filiei-me ao PT logo no seu nascimento, no inicio dos anos 80. Militei na medida do possível sempre acreditando que era esse o partido que defendia uma sociedade mais justa, mais igualitária, partindo de princípios socialistas largamente estudados e defendidos por seus principais idealizadores e militantes. O partido conseguiu manter a sua linha política pouco mais de uma década. A partir daí sua meta principal foi a chegada ao poder a qualquer custo. Primeiro com as administrações municipais, onde o leque de alianças passou a incluir agremiações partidárias com princípios ideológicos completamente diferenciados dos defendidos. Em seguida as administrações estaduais seguindo a mesma linha política. Nesse período o partido começa a defender não mais uma proposta de ruptura com o modelo neoliberal, e sim uma via alternativa de chegada ao poder a qualquer custo. A ala majoritária do partido sempre defendeu esses princípios, ou seja, que os meios justificam os fins. As outras facções mais à esquerda do partido em sua grande maioria defendem ou defendiam a ruptura com esse sistema. Acreditavam e ainda acreditam (o que torna o fato mais grave) que estando no poder um partido nascido dentro de uma ideologia socialista, poderia, pelo menos iniciar os caminhos para a ruptura. Ledo engano. O fortalecimento do neoliberalismo foi intensificado, e hoje o que se vê é um partido completamente esfacelado, onde a maioria de seus parlamentares e dirigentes lutam com unhas e dentes para manter privilégios antes condenáveis. A única agremiação política criada após um longo período de ditadura, que poderia dar um rumo mais sério ao país acabou do ponto de vista ideológico. Existe, ainda, como uma organização qualquer defendendo projetos corporativos em benefício de alguns poucos que se revezam no parlamento e dentro da estrutura governamental. Estamos hoje a poucos meses do processo eleitoral sem uma opção política viável. O critério de votação não é mais ideológico como antes defendido, o partido, como os outros existentes defendem as mesmas bandeiras antes criticadas: bandeiras do nepotismo, do fisiologismo, do corporativismo, etc., exceto o PSOL, PCO e o PSTU, partidos dissidentes do PT, com grandes dificuldades de organização e mobilização. Infelizmente, como milhares de militantes, não poderei votar em um projeto político que acreditava, e ainda acredito, por falta de uma agremiação partidária que os defenda. Como milhares de eleitores, vou votar em indivíduos, acreditando que ainda exista na figura de uns poucos cidadãos a esperança da construção de uma sociedade mais justa.
Rui Oliveira Machado